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Desvendando os efeitos da prática: A Psicologia do Yoga

Desvendando os efeitos da prática: A Psicologia do Yoga

“Este é o segundo, de dois textos sobre os efeitos da prática do yoga publicado no site da revista Forbes, o primeiro: “Desvendando os efeitos da prática: A ciência do Yoga“ examina as mudanças biológicas que o yoga produz no corpo e no cérebro.”

Tendo explorado os aspectos dos surpreendentes benefícios na área de saúde proveniente do yoga, pareceu natural mudar do objetivo para o subjetivo, e dar uma olhada no que o yoga pode fazer com a mente. Até porque, muitas pessoas dizem que, depois de terem começado a prática do yoga, se sentiram mentalmente mais fortes, mais relaxadas, menos depressivas e mais equilibradas do que antes. Caramba, sou a primeira a admitir que esta é a melhor terapia que já participei. Então, para discutir como e por que essas mudanças ocorrem, recorri a dois profissionais bem reconhecidos e experientes.

Stephen Cope, diretor do Institute for Extraordinary Living no Kripalu Center for Yoga and Health, explica que o yoga é uma forma de meditação e esse é justamente o seu poder: “O yoga oferece treinamento de atenção e de auto regulação. Na prática do yoga, estamos treinando nossa consciência para atender o fluxo de pensamentos, sentimentos e sensações do corpo – e para conviver com esses diferentes estados do corpo sem julgamento ou reatividade”.

Em outras palavras, o yoga ensina um novo tipo de atenção. As pessoas que o praticam aprendem a lidar com todos os pensamentos que induzem ao estresse que esvoaçam em torno da nossa cabeça: pensamentos negativos, preocupações, julgamentos precipitados – como o que são: apenas pensamentos, e nada mais. Considerando que a reação aos nossos pensamentos é o que tipicamente nos coloca em problema, aprender a lidar com eles e aceitá-los sem julgamento é fundamental. Então, podemos deixá-los ir, diz Cope, e “fazer escolhas sábias – não com base na reatividade a esses estados, mas segundo nossos melhores interesses”.

Essa ideia de prestar atenção aos pensamentos de uma forma imparcial é o que a meditação propõe. Essa antiga prática ganhou uma grande interesse por parte dos pesquisadores (e pessoas comuns) nos últimos anos. Cientistas têm estudado como o curso dos raciocínios podem mudar as reações e os comportamentos das pessoas, e como eles podem, literalmente, mudar a estrutura do cérebro. O treinamento de atenção e raciocínio tem mostrado fornecer grandes benefícios no tratamento de tudo, até de doenças graves. E o yoga funciona exatamente nos preparando e nos conduzindo nesse caminho.

Elena Brower, professora de yoga da Anusara, co-fundadora e dona do estúdio Virayora em Manhattan, me contou sobre suas mudanças pessoais que ela testemunhou em sua mente com a prática do yoga nos últimos 15 anos. Ela começa explicando a mudança na atenção que o yoga pode trazer: “Cada um possui dois aspectos de nós mesmos; um que está desenhado dentro de nós, super concentrado e alternadamente com medo; e outro, que é expressivo, aberto, pronto, disponível e absolutamente corajoso. Na nossa mente, o yoga ajuda a criar uma relação paciente entre esses dois aspectos. O yoga traz um nível de paciência e entendimento que eu nunca encontrei em nenhuma outra disciplina”.

Ambos especialistas concordam que há algo poderoso e fundamental sobre sincronizar a mente e o corpo como o yoga faz. Os pesquisadores também estão começando a compreender as profundezas da conexão mente-corpo. Como Cope explica, “yogis acreditam que a mente e o corpo estão ligados em todos os sentidos e, na verdade, que a mente é apenas uma forma sutil do corpo, e o corpo, por sua vez, uma forma grosseira da mente”. O que nós fazemos por um beneficia o outro. E como Browed enuncia, “quando bem alimentado, um corpo forte nos ajuda a ver os hilariantes devaneios da mente de forma mais clara”. De fato, a vida é muito mais prazerosa quando aprendemos a ver nossos pensamentos não como realidades graves a serem reagidas, mas como inofensivos, quase cômicos, como pequenas nuvens que flutuam dentro e fora da consciência.

Brower também aponta que não é necessário praticar horas a fio para colher os benefícios mentais que o Yoga pode trazer. “Mesmo 20 minutos, regularmente, muda a minha capacidade de estar presente. A minha prática diária consiste em 15 a 20 minutos de asana (posturas) e 5 a 10 minutos de meditação.”

Para pessoas que estão indecisas de tentarem pela primeira vez, Brower diz: “Saiba que pode demorar um pouco de tempo para que você encontre realmente um professor que fala com VOCÊ de um jeito que você consiga escutar mas, uma vez que você consiga isso, esteja preparado para se sentir mais forte, mais seguro e, em muitos casos, ridiculamente feliz e emocionado ao conhecer a força em seu corpo que vem com uma prática consistente”.

A questão é que, além de seus benefícios físicos óbvios, o yoga é ótimo para aqueles que estão com a cabeça em seus pensamentos o tempo todo. “Quando você tem algumas aulas de yoga na bagagem,” diz Brower, “a primeira coisa que você vai notar é o espaço entre os seus pensamentos. Literalmente, uma pausa é revelada, através da sua respiração, que lhe concede um instante de tempo entre um pensamento e outro”.

Se você está pronto para sair do emaranhado dessas infindáveis cogitações mentais, eu recomendo dar uma chance ao yoga.
Fonte: Penetrating Postures: The Psychology of Yoga

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Rádio Viva Zen

13.fev.2015

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