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A cura pelo som – e o que ela pode fazer por nós por Som de Cristal

A cura pelo som – e o que ela pode fazer por nós por Som de Cristal

Novas formas de cura vêm sendo descobertas dia a dia, e o som têm se mostrado um remédio natural muito efetivo, não invasivo e sutil. Aqui ofereço uma breve introdução a este vasto assunto, com o objetivo de abrir os caminhos para a sua própria pesquisa e aprofundamento neste fascinante tema.

O som é utilizado de forma sagrada pela humanidade há muitos séculos.

No Novo Testamento, Evangelho de João, lemos: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus (João 1, 1)”.

Ainda na Bíblia, agora no Velho Testamento, lemos no Livro do Gênesis: “E Deus disse: haja Luz”.

Os Vedas da tradição Hindu escreveram: “No início era Brahma que era a Palavra. E a Palavra é Brahma”.

Os índios Hopi contam a história da mulher aranha, que cantou a canção da criação para os seres inanimados da Terra, trazendo-os para a vida.

Todas as grandes civilizações conhecidas utilizaram o som e a música como forma de cura.

As civilizações egípcia, hindu, grega, maia e tibetana, entre outras, tinham um vasto conhecimento em como aplicar os sons para este fim.

Os monges tibetanos são um exemplo vivo disto até hoje, com seu canto gutural, cornetas, “gongs” e tigelas de metal.

Os aborígenes australianos utilizam o didgeridoo para cura e os nativos americanos usam a entonação e sons repetitivos com instrumentos criados a partir da natureza (p.e. o tambor) em cerimônias sagradas.

Para os índios tupi-guarani, a palavra é a fonte da criação: “Até que então ele olha para o céu, suspira, e lhe vem na mente uma palavra: – Arara. Assim surge a primeira arara no mundo.” 1

O uso do som era tanto para curar quanto para unir em cerimônia e celebrar.

O som e a música estão conosco e são parte de nós. Não tem como dissociar deles.

Mas se compreendermos um pouquinho mais deste misterioso e fascinante mundo, talvez possamos utilizá-lo para nosso crescimento e desenvolvimento pessoal.

Vibração

Tudo o que existe está em um estado vibracional, matéria viva ou inanimada.

Esta é uma verdade que não é uma descoberta dos físicos modernos. Todos os sábios, mestres e curadores da antiguidade conheciam os segredos da natureza e sabiam que tudo que existe vibra.

O Terceiro Princípio do Hermetismo, o “Princípio da Vibração” diz: “Nada está parado; tudo se move; tudo vibra”. 2

As ondas sonoras são ondas mecânicas, cujas perturbações são transmitidas pelo meio na forma de ondas de compressão.

Ao longo de uma onda sonora, as partículas se comprimem e se rarefazem periodicamente.

O processo de transmissão da vibração é muito similar ao do brinquedo da mola colorida, onde um pulso numa extremidade “navega” por toda a extensão da mola até a extremidade oposta. Nesse processo, somente a energia é transportada, através das interações entre as espirais da mola.

Do mesmo modo, as ondas sonoras transportam energia através das interações entre as moléculas dos gases que compõem o ar, por exemplo.

Em ambos os casos, o meio material (mola ou ar) permanecem inalterados quando o movimento cessa.

Esta vibração, esta energia que viaja de um lado para outro pela compressão/descompressão das moléculas de ar, é sentida como um som grave ou agudo.

Sons graves tem menos ciclos por segundo, enquanto sons agudos tem mais.

musica e som

Freqüência

A freqüência pode ser compreendida como a quantidade de ciclos (compressões e descompressões do ar) por segundo. É medida em Hertz, ou Hz. A definição é de que 1 Hz é igual a um ciclo por segundo.

O ser humano ouve sons de 20 Hz a 20.000 Hz, ou 20 Khz (kilohertz). Mas isto não quer dizer que sons de frequencias mais altas (ultrasons) ou de frequencia mais baixa (infrasons) nos afetem.

De fato, todo o nosso corpo “ouve”. O som bate em nossos tecidos e ossos, uma parte é refletida de volta e a outra parte penetra profundo em nosso corpo.

Diferentes frequencias produzem diferentes sensações: as mais altas são agudas e a tendencia do som é subir para a cabeça. Já as mais baixas são graves e descem, afetando mais o corpo físico.

Golfinhos e baleias se comunicam nas águas dos oceanos emitindo sons com freqüências de até 180.000 Hz (180 Khz).

Volume

O volume é a amplitude de onda do som. Quanto mais alta, maior o volume, e vice-versa. Sua unidade de medida é o decibel (dB).

O nível de volume é importante por uma série de motivos, mas talvez o principal deles seja o cuidado que temos de tomar com volumes muito altos.

Música muito alta pode danificar de maneira definitiva a audição, total ou parcialmente. Esta é uma verdade atestada por diversos cantores de rock.

A Organização Mundial da Saúde possui limites bem definidos de níveis de dB aceitáveis durante um determinado período de tempo. Esta é uma questão de saúde pública sobre a qual ainda não se deu a devida importância.

Ressonância

Ressonância é o estado onde um determinado objeto ou ser vibra naturalmente.

Se deixarmos dois violões afinados da mesma forma perto um do outro, quando tocarmos a corda de um a mesma corda no outro vai vibrar, sem ninguém tocá-la.

Significa que estes dois objetos possuem a mesma frequencia de ressonância.

Em nossos workshops costumo mostrar a ressonância entre duas tigelas de cristal da mesma nota. Quando toco uma, a outra vibra sem ninguém tocar.

É por isso que certas pessoas e ambientes nos aproximam ou nos afastam. Queremos ficar próximos de pessoas que ressoam conosco, e longe de pessoas que não ressoam conosco.

Encadeamento

O encadeamento é um outro conceito muito importante da cura pelo som.

Acontece quando as vibrações mais poderosas de um objeto (ou corpo, ou “coisa”) afetam outro objeto, fazendo com que eles entrem em sincronismo.

Foi observado pela primeira vez pelo cientista holandês do séc. XVII Christian Huygens, que percebeu que os pêndulos de dois relógios colocados um ao lado do outro começaram, depois de um certo tempo, a oscilar em ritmo e fase idênticos.

Podemos notar facilmente o encadeamento quando estamos com raiva. Se lembrarmos de respirar profundamente algumas vezes prestando atenção, a raiva diminuirá devido ao fato de que o ritmo da respiração encadeará uma emoção de calma e tranqüilidade.

Outro exemplo é que normalmente mulheres que convivem por um tempo juntas começam a menstruar mais ou menos na mesma época.

Na cura pelo som, o encadeamento acontece quando o paciente fica em uma posição receptiva às vibrações produzidas por qualquer instrumento.

Toda a fisiologia e relação mente-corpo será alterada pelas vibrações do instrumento, de modo que em apenas alguns minutos pode-se chegar a um estado de relaxamento e bem-estar.

Cada instrumento afetará o paciente de sua maneira particular.

Ondas Cerebrais

Nosso cérebro também pulsa e vibra, como o nosso coração. Ele produz ondas eletromagnéticas que podem ser medidas, assim como o som, em Hz (Hertz). Pesquisas têm demonstrado que ondas sonoras de determinadas freqüências podem afetar a freqüência das ondas cerebrais.

Nossas ondas cerebrais são classificadas de acordo com uma faixa de freqüências que segue abaixo:

Ondas Beta (14 a 20 Hz): nosso estado de vigília e quando estamos focando nossa atenção em atividades do mundo exterior;

Ondas Alfa (8 a 13 Hz): ocorre quando sonhamos acordados, e é freqüentemente associado a estados meditativos;

Ondas Theta (4 a 7 Hz): encontrados em estados de alta criatividade e também em estados de transe. Ocorrem também no sono ou meditação profundos;

Ondas Delta (0.5 a 3 Hz): ocorrem em estados de sono profundo ou inconsciência. Parece que a meditação profunda produz estas ondas em indivíduos conscientes.

Descobriu-se que frequencias audíveis tem a capacidade de afetar (ou encadear) as nossas ondas cerebrais.

Isso tornou mais fácil atingir estados mentais desejados: relaxamento, foco, atenção, etc..

Uma das tecnologias desenvolvidas para isso são os “batimentos bineurais”.

A técnica consiste em jogar um som de uma determinada freqüência em um ouvido, e outro com uma freqüência diferente no outro ouvido.

O cérebro então calcula a diferença entre as freqüências e o encadeamento acontece.

Digamos que ouço 50 Hz no ouvido esquerdo e 54 Hz no ouvido direito. A diferença entre os dois é 4 Hz, que é a freqüência que o cérebro vai processar, de forma a criar um encadeamento para levar-nos as ondas theta (que vibram de 4 a 7 Hz).

Cura

Nossa freqüência de ressonância é o resultado de todas as interações entre as freqüências de todos os nossos órgãos, e também de todos os nossos pensamentos e emoções (que também são vibrações).

Quando bebês, vibrávamos em uma freqüência natural (ótima) de ressonância, resultado do funcionamento perfeito desta incrível orquestra que é o corpo humano.

À medida em que crescemos e desenvolvemos hábitos e crenças, vamos aos poucos perdendo contato com esta freqüência ótima de funcionamento.

O terapeuta do som Jonathan Goldman compara o corpo humano a uma orquestra muito bem afinada, que produz uma música extremamente agradável.

Mas o que acontece quando o segundo violino da orquestra perde a sua partitura e começa a tocar no tom e ritmo errados? Rapidamente isto afetará a seção de cordas, e logo toda a orquestra tocará uma música horrível. 3

Esta música desafinada, a doença, é na verdade uma parte do nosso corpo vibrando fora da harmonia com o todo.

A solução da medicina alopática poderia ser dar uma pílula para o violinista dormir.

Mas o que aconteceria se, ao invés disso, nós devolvêssemos a partitura para o músico, fazendo com que a orquestra toda volte a tocar uma bela música? Assim, a essência da cura pelo som é isso:

projetar vibrações harmoniosas que fazem com que a parte doente volte a vibrar em harmonia com o todo.

Todas as formas de cura pelo som utilizam-se deste princípio, emitindo ondas sonoras harmônicas a partir de um instrumento (incluindo a voz humana), de forma a fazer com que a parte doente “lembre-se” da sua freqüência natural (ótima), trazendo-a para o estado saudável.

Alguns terapeutas usam equipamentos para detectar quais são as frequências faltantes em nosso sistema (o tal do violinista que perdeu sua partitura). Isto pode ser feito através da voz ou de testes auditivos. Equipamentos específicos são utilizados em cada caso, e as frequencias que estão faltando podem ser dadas ao paciente utilizando qualquer tipo de som (tigelas de cristal, metal, batimentos bineurais, etc…)

O som é uma poderosa ferramenta para restaurar a nossa saúde em todos os níveis.

Sua utilidade vai muito além de relaxar e harmonizar: ele é também capaz de rearranjar moléculas e restaurar o correto funcionamento celular.

A cura não vem de fora. Pelo contrário, ela emerge a partir de dentro, da essência da própria pessoa, através de estímulos sonoros corretos.

Estamos ainda engatinhando na compreensão mais profunda das imensas implicações do uso terapêutico do som.

Instrumentos utilizados na cura pelo som

A partir da década de 70, com a crescente popularidade da cura pelo som, muitos instrumentos foram (re)descobertos ou desenvolvidos para intensificar esta prática.

Alguns deles estão ao nosso dispor de forma gratuita, como a voz. Outros são muito fáceis de tocar, como as tigelas e as pirâmides.

Cada um tem o seu valor terapêutico e pode ser usado por qualquer pessoa que queira facilitar o seu desenvolvimento através do som.

Segue uma pequena lista de instrumentos que você pode utilizar para começar uma pesquisa sobre seu uso.

  • Voz humana (entonação, canto dos harmônicos, etc..)
  • Tigelas de cristal de quartzo;
  • Tigelas de cristal alquímicas;
  • Tigelas tibetanas (metal);
  • Didgeridoos (bambu, pita, PVC, eucalipto, cristal de quartzo, etc..);
  • Diapasões (metal e cristal de quartzo);
  • Pirâmides sonoras de cristal;
  • Gongs;
  • Tambores (xamânicos, ocean, hang drum, etc..);
  • Maracas;
  • Mesa Lira;
  • Sintetizadores;
  • Entre outros…

Para terminar

A cura pelo som tem ganhado um crescente número de adeptos com o passar dos anos.

Talvez isso se dê porque o som tem uma característica muito interessante: ele pode “fisgar-nos”.

É um tipo de conexão que não conseguimos explicar por palavras. Só conseguimos dizer: “Fui profundamente tocado por este som”.

Talvez seja porque ele apresenta resultados rápidos, ou talvez porque seja fácil tocar alguns dos instrumentos citados acima.

Nada disso importa. No momento em que vivemos no planeta, o redespertar e o redescobrir destes sons magníficos é mais do que necessário.

Quem sabe em um futuro próximo possamos inserir em nossa educação o ensino da cura pelo som desde a mais tenra idade. Talvez assim seja mais fácil termos pessoas cada vez mais equilibradas, amorosas, justas e compassivas.

Mas enquanto isso não acontece, eu o encorajo fortemente a procurar se aprofundar neste tema tão intensamente vasto.

Ele traz um tesouro de recompensas!

Para o terapeuta, a oportunidade de inserir o potencial curativo do som em sua prática.

E para qualquer outra pessoa que queira potencializar o seu desenvolvimento pessoal em todos os níveis: físico, emocional, mental e espiritual.

Somos o som. Ele está em nós. Quanto mais o ouvirmos, mais ele fará de nós pessoas iluminadas.

A música é a voz de Deus viajando através do hiper-espaço

Michio Kaku – Cientista Quântico

A música nada mais é do que o retrato do nosso Bem Amado

Inayat Khan – Mestre Sufi

Luiz Pontes

Agosto de 2018 

Reprodução autorizada desde que citada a fonte.

REFERÊNCIAS

1)   A criação do mundo – Kaká Werá Jecupé – Edições Arapoty – pg 27

2)   O Caibalion – Três Iniciados – Editora Pensamento – pg. 23

3)   Os Sons que Curam – Jonathan Goldman – Editora Siciliano– pg. 22

 

Fonte: https://www.somdecristal.com.br/2018/08/31/cura-pelo-som/

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